A ArteSol elabora projetos e ações para salvaguardar e disseminar o artesanato de tradição enquanto patrimônio cultural brasileiro, promovendo a autonomia dos artesãos e o desenvolvimento cultural, social e econômico das comunidades. Acompanhe aqui um pouco do universo dessa ONG apoiada pela Iguatemi.
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A presença feminina no fazer Artesanal

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A maior parte do trabalho realizado no mundo é feito pelas mulheres – 67%, segundo relatório das Nações Unidas. As mulheres recebem de 30 a 40% menos que os homens para fazer trabalhos similares e em muitos países em desenvolvimento, não recebem qualquer tipo de remuneração.  É grande a presença feminina no universo artesanal brasileiro, e muitas delas, ainda enfrentam dificuldades familiares para seguir trabalhando com o artesanato. 
 
Um dos objetivos da ArteSol, com as capacitações nas comunidades artesãs é permitir o empoderamento econômico desses pequenos grupos e valorizar a identidade local dos mesmos. A Artesol desenvolve ações de apoio que visam abordar as questões da desigualdade entre gêneros e promover modos de vida sustentáveis e oportunidades de trabalho, tanto para homens quanto para mulheres.
 
Para inspirar essa mudança, Artesol apresenta algumas dessas mulheres empreendedoras que cresceram assistindo suas avós, mães ou tias produzirem o artesanato, passaram por dificuldades financeiras e sociais, e continuam repassando estas tradições aos mais jovens, imortalizando a sua identidade local. 
 
Dona Maria José Gomes da Silva (Zezinha), artesã de Turmalina, Vale do Jequitinhonha/MG
 
Dona Zezinha é tímida, tem fala mansa e é dona de um talento excepcional e aprendeu a mexer no barro com a mãe aos 14 anos, e desde então, trabalha modelando o barro e produzindo bonecas de expressão única. Lá em Turmalina o principal sustento vem da roça ou do trabalho artesanal, e para Dona Zezinha o artesanato significa “o pão de cada dia”.  

“Quando eu era pequena e comecei a trabalhar com o artesanato, a gente não tinha praticamente nada. A gente fazia só para as despesas da casa, você não podia comprar roupa, você não podia comprar calçado, não tinha nenhuma cama correta pra você dormir” conta Dona Zezinha. 
 
Hoje, Dona Zezinha tem a ajuda do marido e das duas filhas na produção das bonecas de cerâmica, e afirma que o artesanato acaba sendo a principal fonte de renda para ela e sua família e que possibilitou muitos ganhos na qualidade de vida da comunidade. 
 
Núbia Alírio, artesã de Sítio Riacho Fundo, Esperança/PB.
 
Núbia aprendeu o fazer artesanal da boneca Esperança com sua tia Maria do Socorro da Conceição, que repassou o saber para outras mulheres e homens do bairro Sítio Riacho Fundo, em Esperança, por meio de oficinas de um trabalho realizado pela ArteSol e parceiros. 
 
Ela diz que por não haver trabalho na região, a taxa de desemprego é alta e o artesanato é uma importante fonte de renda para a comunidade. Após o aprendizado da técnica artesanal, Núbia conseguiu sustentar sua família apenas com a renda proveniente das vendas do artesanato, como muitos outros artesãos da região que conseguiram construir suas casas e comprar outros bens. Nas horas livres a artesã trabalha com o marido no campo, plantando feijão, batata, milho, o que conseguem colher no Nordeste. Núbia também faz um curso para professora e concilia várias atividades para nunca ficar parada. “Faço de tudo um pouco” diz.
 
Quando perguntada se ela acha que é uma mulher empreendedora, a resposta é tímida. “É, um pouquinho, mas eu sou. Graças ao artesanato eu descobri isso, porque eu aprendi a negociar com as peças que produzo, a vender e a representar. Eu também sou responsável pela contabilidade da associação e a interação com o cliente”, enumera.
 
Hoje as vendas na associação são mais esporádicas, mas os artesãos estão sempre prontos para receber encomendas!
 
Elione Pereira de Souza, artesã de Pitimbu/PB - Grupo Trançados de Pitimbu
 
Elione Pereira de Souza foi incentivada pelas irmãs para integrar o grupo de artesanato de trançado em fibra de coco e há 10 anos se dedica a esse fazer artesanal, que foi repassado pela mestra Dona Zefinha. Elione diz que não pensa em parar de trançar e que quer passar esse aprendizado para suas netas, pois é uma atividade que significa muito na sua vida. “Tenho prazer por desenvolver esse fazer artesanal e mostrar o meu talento, além de ser uma renda a mais para a família”, explica. Mas não foi fácil aprender a trançar a fibra, acabava por entronchar a peça, como ela mesma disse, mas com persistência na atividade, hoje a artesã domina a técnica artesanal e se orgulha de fazer parte da associação.
 
Isailda Pereira de Oliveira, artesã da cidade de Valente/BA - Cooperativa Regional de Artesãs Fibras do Sertão – COOPERAFIS
 
Dona Isailda Pereira de Oliveira trabalha com a técnica do trançado em sisal há 17 anos, disse que ama o fazer artesanal e que após aprender a técnica obteve uma renda complementar ao seu salário. “O artesanato não é renda única, é um complemento, mas me ajuda bastante”, reforça. 
 
Atualmente a artesã é diretora administrativa da associação e relatou que aprendeu muito com a cooperativa, pois tiveram algumas capacitações que ajudaram no aprendizado. Hoje ela é responsável pelo setor de vendas e o contato com os clientes, parceiros e fornecedores.
 
A Cooperafis possui 10 núcleos produtivos divididos nas cidades de Araci, Valente e São Domingos, todos localizados na Bahia, onde mais ou menos 60 artesãs estão trabalhando ativamente com a técnica do trançado em sisal.
 

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