Cinema por Suzana Vidigal

Jornalista especializada em cinema e dona do blog Cine Garimpo, semanalmente ela escreve no Mundo Iguatemi críticas sobre os filmes do momento, dando seus pitacos sobre a sétima arte.

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Até o último homem

 
Último trabalho que vi com Mel Gibson ator tem um clima tenso. Mas tenso- depressivo, filme pesado, alcoolismo, dificuldade de tocar a vida, em Um Novo Despertar. Bom vê-lo de volta nas telonas, agora como diretor, numa história de redenção. Tensa também, mas tensa-guerreira. E isso é bom, porque lutar - mesmo que aqui tenha duplo sentido - é sempre sinal de que estamos vivos.
 
A tradução bem livre do original Hacksaw Ridge, o nome de uma serra da ilha japonesa de Okinawa, onde acontece a batalha retratada no filme, mostra qual a intenção do filme. O protagonista Desmond Doss se alista para lutar na Segunda Guerra, mas por princípios religiosos, nega-se a pegar em armas. Quer ser médico, salvar vidas. Convicto, não cede às pressões dos comandantes e se propõe a lutar, mas para salvar “Até o Último Homem" que puder.
 
 
Faz sentido. Além de contar como foi essa resistência, de mostrar a força da sua fé e os frutos que colhe depois – não só resgatando os soldados feridos do campo de batalha em território japonês, mas também colecionando admiradores e amigos – Gibson faz um retrato realista e bem sangrento do que foi esse pedaço da guerra.
 
Tem sangue a beça, mas guerra é guerra e não gosto daqueles recortes plastificados em que não consigo acreditar que possa ser verdade. Já que é cruel, prefiro que o diretor chegue perto do real. Assim o altruísmo de Doss fica ainda mais nobre. Andrew Garfield, também em A Rede Social e O Espetacular Homem-Aranha, merece os holofotes.
 
DIREÇÃO: Mel Gibson ROTEIRO: Robert Schenkkan, Andrew Knight ELENCO: Andrew Garfield, Sam Worthington, Luke Bracey | 2016 (139 min)
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