Cinema por Suzana Vidigal

Jornalista especializada em cinema e dona do blog Cine Garimpo, semanalmente ela escreve no Mundo Iguatemi críticas sobre os filmes do momento, dando seus pitacos sobre a sétima arte.

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MANCHESTER À BEIRA-MAR

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  • Normalmente as trajetórias que mais emocionam são aquelas que lidam com histórias de vida comuns. Gente como a gente, com suas encrencas pra resolver, com a vida virada de cabeça pra baixo e com relacionamentos complexos, com dor e ternura. Ou seja, vidas de verdade. Por isso é que Manchester À Beira-Mar é tão impactante. Não tem um só personagem herói; nem modelo. A gente mergulha no filme e veste a carapuça.  
     
     
    Casey Affleck, com toda a sua melancolia e jeito esquisito, acaba de levar o Globo de Ouro de melhor ator de drama na pele de Lee Chandler, um zelador que trabalha sem fazer questão de ser simpático. É objetivo e frio, faz o mínimo necessário. Sujeito amargo. Até que recebe um telefonema dizendo que seu irmão faleceu. Tem que ir à Manchester se despedir e cuidar das pendências – inclusive de seu sobrinho, que fica sob sua guarda. No decorrer da narrativa, vamos descobrindo quem é Lee, sabemos sobre seu passado e seu casamento com Randi (Michelle Williams, também em Entre o Amor e a Paixão, Namorados Para Sempre), de que fontes bebeu para ser tão duro consigo mesmo.

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  • Não espere reviravoltas ou acontecimentos mirabolantes. A narrativa é sobre uma vida simples, sobre erros e acertos, sobre relacionamentos que não se esgotam, que precisam de tempo para serem digeridos e perdoados. Profundo e verdadeiro. O ano começa muito bem.
     
    DIREÇÃO e ROTEIRO: Kenneth Lonergan ELENCO: Michelle Williams, Casey Affleck, Kyle Chandler, Lucas Hedges | 2016 (137 min)
     
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